O Terceiro Setor, desafios e novos
caminhos
O Terceiro Setor é a segunda
maior rede de proteção social básica do Brasil, perdendo apenas para o Estado.
Sabe-se que para cada Real de isenção tributária conquistado pelas entidades,
as mesmas retornam seis vezes mais em termos de serviços e atendimento gratuito
para a sociedade, nas áreas de Assistência Social, Educação e Saúde. Isso
mesmo: de acordo com o Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas – FONIF –,
usando informações divulgadas pelo próprio Governo, para cada R$1,00 de isenção
concedido são devolvidos em média R$6,00. Esta proporção pró-entidades deveria
pacificar o entendimento em relação à importância estratégica deste setor. Mas não
é isso que acontece.
Associações e Fundações seguidamente
encontram-se sob suspeita e são alvo de diligências governamentais. Apesar de
seu trabalho estratégico, sofrem com ameaças e fiscalizações muitas vezes
arbitrárias e casuísticas, ameaçando a perda da desoneração tributária, mesmo
que as mesmas estejam atuando para suprir as lacunas deixadas pelo próprio setor
público.
O
grande desafio - inovação
Alguns fatores contribuem
significativamente para as dificuldades do Terceiro Setor, como as defasagens
de desempenho, sustentabilidade e regulamentação que embaraçam seu sucesso ou a
relevância de suas ações.
Na defensiva, o Terceiro Setor
normalmente aponta a causa de seus problemas para o governo e a falta de visão
dos empresários que não possuiriam visão para investir. Assim, acabou
desenvolvendo uma autopercepção distorcida e vitimista, colocando-se muitas
vezes como um “patinho feio” na sociedade. Mas a ausência de autocrítica e do
reconhecimento de problemas internos que precisam ser superados está na raiz de
suas dificuldades. As Associações necessitam de uma revolução em termos de inovação
social para vencer algumas defasagens históricas.
Mais do que equipamentos, processos ou novas
tecnologias, inovar é ousar fazer as coisas certas de forma correta, rompendo a
lógica dominante do jeitinho, do amadorismo ou da importação de modelos sem as
devidas considerações locais. Ter uma boa causa não é suficiente. É preciso ser eficaz e saber comunicar isso
aos parceiros com transparência.
A
solução - compliance
O fator urgente de inovação é o
estabelecimento de uma cultura de Compliance, ou de conformidade com
leis, normas, políticas internas e intersetoriais. Esta ação já foi testada e
consagrada em governos, empresas e instituições que hoje são respeitados
globalmente e considerados referenciais em seus respectivos segmentos. A
integridade como fator de inovação está em poder agregar valor aos produtos e
serviços ofertados, com honestidade. Isso fará com que tanto o governo quanto o
setor privado mudem suas percepções para com o Terceiro Setor, mais do que
qualquer relatório ou campanhas de marketing bem produzidos.
A ética aliada à eficácia tornou-se um
fator crítico de sucesso. Onde antes um bom “padrinho” era tido como um recurso
estratégico, hoje o compromisso dos dirigentes com valores corretos, o
estabelecimento de controles internos e uma governança social integrada elevam suas
organizações para níveis de desempenho competitivos, trazendo sustentabilidade
com credibilidade. Esta combinação gera recursos através de parcerias fortes,
pois em vez de
se concentrarem apenas na possibilidade de retorno financeiro, os investidores
também passam a considerar os impactos sociais e ambientais que o seus
investimentos poderão criar.
A lógica dominante com seus
pressupostos, armadilhas e medos, conforme afirma o Consultor Chefe de Inovação
da General Eletric, Vijay Govindarajan, deve ser questionada para que a
inovação ética também seja alcançada. O caminho começa pela revisão de onde as
instituições mais correm riscos: em seu modelo de gestão.
A
construção da cidadania com ética é a melhor defesa de direitos possível, seja
para as pessoas ou para o meio ambiente. E a rede do Terceiro Setor é
diretamente responsável por isso.
