A eucaristia foi ótima, bolo de fubá, rapadura e café.
Li hoje pela manhã uma frase que entendo fazer sentido para voces, lembrando-me de nossa prosa com rabiscos. Está em um livro que comecei a ler: 'a fantástica vida breve de Wao' - do autor dominicano Junot Diaz:
"- As mudanças desejadas nunca são as que mudam tudo". Faz sentido?
Lembrando de nosso papo, deixo correr o risco solto, alimentando idéias e ideais.
A fria e, para nós curitibanos, surpreendente pesquisa do IBGE, nossos devaneios e apostas, profecias incipientes, possibilidades partindo da resiliência de cada um, cenário com matizes apocalípticas e horizontes infinitos, realidade compreendida mas perdida; o desenho do Brabo 'pronto pra beber', ver os filhos a crescer, filhos crescidos; as ocupações de tantos espaços públicos, mas a percepção do espaço íntimo intacto nesta selva existencial. Tudo isso e mais um um pouco vai tomando todo tempo da gente, surpreendendo e nos movendo numa direção, como um tsunami que a todos leva. Mas é possível resistir.
Paulo, você disse que eu e o Cláudio somos uma amizade improvável: concordo, e mais, somos três amizades improváveis, nestes tempos onde qualquer amizade verdadeira é improvável: temos "fontes", temos "contatos", "curtimos" uns aos outros, as redes sociais denunciando a superficialidade de nossas relações. Mas Jesus vem e escandaliza nossos interesses, subverte nossa agenda, provoca comunhão entre pecadores casca grossa, pesca em mar estéril e alimenta multidões com peixes igualmente improváveis. Aí está o mistério, a subversão da ordem pelo posicionamento diante de uma proposta ainda mais improvável: a gentileza, que é o amor traduzido em atitudes.
Ser gentil é permirtir-se ser ocupado e possuído, mas jamais violentado; é ser manso sem ser fraco, ser humilde sem ser chato, ser justo sem ser violento.
A gentileza não é um estado de espírito, mas uma atitude com propósito, a revolução silenciosa e interior que quebra estruturas e subverte ordens, gostos, preferencias pessoais.
Ser gentil é aceitar sem condescender e poder viver sem explicações pra todas as coisas, sem provas ou teses, sem apostas, apenas ser o que é possível e aceitar o possível do outro ser.
Ser gentil é aceitar a surpresa e o mistério. É saber ouvir. É saber pensar depois de ouvir. É escolher agir depois de pensar e não reagir sem pensar.
Gentileza é abrir mão de se ter respostas para tudo, é saber-se limitado, incapaz de resolver todos os problemas. É escolher a simplicidade e a alegria de poder debater sem precisar vencer!
Ninguém é gentil sozinho, ninguém ama sozinho. A gentileza, assim como o amor, precisa do TU para dialogar com o EU, em um equilíbrio dinâmico, não estático. Ser gentil é saber e poder ajustar o fulcro da balança para o próximo não ser prejudicado. Na essência, o amor é gentil, pois escolhe se relacionar, sem se importar em esvaziar-se para isso. Sem medo, sem maiores expectativas, dando-se sem esperar nada em troca, pisando o chão da humanidade de cada um.
Bom, talvez aí esteja o desafio e a chave da gentileza: retirar seu conteúdo comercial, de troca, e simplesmente ser gentil. As mudanças que mudam tudo não são aquelas desejadas, mas as apreendias. O mistério da verdadeira revolução está no escândalo de Dulcinéia para seu D. Quixote:
"Tapas e abusos eu posso levar e devolver, mas a ternura eu não posso suportar!"
Eu também preciso ser gentil. Obrigado pelas horas, meus amigos!


Ah, gentileza... kindness... um bem precioso! Vi um filme domingo 'a noite, do Hallmark channel, "Have a little faith": a amizade improvavel entre um judeu e um presbiteriano ex-dorgado/traficante. Mesma licao de vida. A mensagem e' geral. Abracos.
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