Generosidade!
O período de Natal é mundialmente conhecido como o maior período do
ano para compras e trocas presentes. Isto porque as pessoas entendem que a
melhor forma de agradar umas às outras é comprando coisas uma para as outras.
Mas será mesmo?
O Natal tornou-se uma época onde dois sentimentos andam juntos e
misturados: a vontade de sair comprando e o fato de você acabar se irritando. Isto
porque o que as pessoas realmente precisam não pode ser comprado por dinheiro
algum. Por que, afinal, concentrar em um único período, a temporada de Natal, o
que deveria ser distribuído ao longo de todo ano?
Não falo de coisas que o dinheiro pode comprar. Penso naqueles itens
que não têm preço. Afinal, ainda acredito que tem certas coisas que o dinheiro
não compra e que são verdadeiros tesouros. Se estivermos educando nossos filhos
e netos apenas dentro de uma cultura de consumo, seremos também no futuro
apenas mais um produto empoeirado na prateleira das relações utilitárias.
Em outras palavras, seremos coisificados e, como toda bugiganga,
perderemos o valor e a capacidade de encantar. Muitas vezes mais rápido do que prosseguir
até o final desta leitura, seremos descartados da mesma forma que aqueles
presentes geniais que ninguém sabe o que fazer com eles: ficam dentro do
armário por anos, até que acabam indo para algum bazar beneficente. No caso de
pessoas, o esquecimento na medida em que perdem sua “utilidade”.
Amor, fé, esperança, carinho, respeito, gentileza, tolerância, bondade,
educação e a lista vai crescendo por outras ações e atitudes que possuem valor inerente,
inseparáveis de quem as dá – bem diferente de um preço colocado pelo mercado. Daí
o seu valor ser inestimável! É como aquele desenhinho que um filho dá para seus
pais e que estes guardam pela vida inteira, enquanto que aquele famoso celular
foi trocado por outro modelo nem mesmo um ano depois. Na velhice, encontram o
desenho amarelado dentro de um livro, fecham os olhos e o caminho da lágrima
que escorre remete aos primeiros passos, a primeira palavra, o primeiro
abraço.... isso não tem preço!
Que tal colocar isso tudo dentro de uma palavra, a generosidade?
Podemos até, mesmo correndo alguns riscos, dizer que a generosidade
é como dinheiro em alguns aspectos. Existem pessoas que gastam de coração
aberto, sem esperar nada em troca, e aquelas outras que são mesquinhas até o
último centavo, agindo apenas numa relação de troca.
Na bíblia existe um verso que é usado de maneira errada dentro de um
contexto financeiro, denunciando que a “ética” capitalista dominou o espírito
cristão. A passagem, porém, diz exatamente o contrário: “-mais bem aventurado é
dar do que receber.” Ora, o Apóstolo Paulo recordava as palavras de Jesus ao
estimular seus irmãos a serem generosos com sua própria vida, abrindo mão de
sua presença em favor de outras pessoas. Ele deveria seguir em sua missão para
outro local e a comunidade temia por sua vida. Em outras palavras, sua mensagem
foi: sejam generosos, permitam que eu me vá e cumpra minha missão!
O verdadeiro amor é generoso: o que recebemos em liberdade e de boa
vontade deve ser igualmente repartido. Nada é definitivamente meu, até o
momento que eu o considere definitivamente livre. Ninguém pode impor a sua
presença ou exigir o amor de quem quer que seja.
O melhor presente não custa dinheiro – mas demanda tempo e atitude. O
tempo investido na atitude correta retornará com muitos juros e dividendos que
valerão por toda a vida. Ser generoso significa investir na vida de alguém sem
esperar nada em troca, pois em primeiro lugar a generosidade beneficia aquele
que a pratica. É uma coisa como “ser um egoísta do bem”!
Além da gratuidade, a generosidade pode ser anônima também. Podemos fazer
muitas coisas por pessoas que nem sequer conhecemos. Isto aumenta o impacto e
inverte a relação mercantil que tomou conta de nossa sociedade, que basicamente
é regulada pelo mercado.
Como ser generoso? Cada um sabe, em seu contexto, como fazer um
gesto de generosidade conforme o tempo que desejar investir. Mas existem muitas
formas criativas e impactantes.
- Faça uma lista do
tipo “Top-10” de pessoas (ou qualquer outro número que considerar viável) que realmente
te inspiram, motivam ou influenciam positivamente na sua vida. Veja, tem que
ser gente real, de seu círculo de relacionamentos (íntimos ou amigos)! Jesus,
Gandhi e Mandela, deixa pra agradecer depois, pessoalmente. Se puder, divulgue
a lista e diga por que você é grato a elas! A lista é sua, o motivo é seu e ninguém
tem nada a ver com isso, mas todos irão sentir uma onda de amor. É claro, você pode
simplesmente fazer a lista e enviar uma mensagem individual e diretamente para
cada uma das pessoas. A gratidão é uma moeda em falta no mercado e por isso
quando é feita publicamente, possui um impacto tremendo!
- Que tal escrever a resenha de
algum livro que você realmente achou bom e divulgar para sua comunidade, ou em
algum site de publicações. Muitas pessoas vão gostar. Imagina agora se você conhece
o autor, ele ficará muito feliz!
- Divulgue uma lista
de profissionais e/ou serviços que te impactaram positivamente. Claro, foi tua
experiência, mas não tenha medo de elogiar! Todos sabem que eventualmente, por
algum motivo, tudo pode dar errado. Mas não deixe o risco impedir sua
generosidade. Afinal, se você corre o risco com aplicações financeiras e empréstimos,
porque não correr investindo em pessoas?
- Em vez de
simplesmente “curtir” alguma coisa nas mídias sociais, procure também dizer de
vez em quando porque aquilo te fez bem.
- Perdoe. Isso mesmo, libere
a pessoa de alguma dívida: pessoal, financeira, emocional, contratual,
espiritual... você perceberá que o alívio que a pessoa sentirá será muito pequeno
perto da paz que te inundará.
- Distribua “obrigados”
com um abraço de vez em quando – de maneira sincera. Todos percebemos a
diferença entre abraços formais e aqueles que realmente contém significância.
- Se não puder estar
presente, liga para a pessoa em vez de mandar um torpedo de “feliz aniversário”.
Lembre-se: a generosidade demanda tempo e atitude, e qualquer pessoa saberá
reconhecer seu gesto, por menor que seja.
- Uma lembrancinha inesperada, um abraço gratuito, um sorriso sincero; um "muito obrigado por limpar minha sala" para a tia da limpeza, juntamente com uma florzinha; aquela atenção especial para alguma criança.
- A caridade, a bondade, dar a vez para alguém, abrir uma porta, carregar uma sacola de compras, acompanhar alguém numa rua deserta até seu carro,....
- E com o porteiro, o "guardador de carro", o policial, o amigo do trabalho, um desconhecido em situação de ajuda, tantas pessoas, cada uma, uma oportunidade de ser generosamente gentil!
- Uma lembrancinha inesperada, um abraço gratuito, um sorriso sincero; um "muito obrigado por limpar minha sala" para a tia da limpeza, juntamente com uma florzinha; aquela atenção especial para alguma criança.
- A caridade, a bondade, dar a vez para alguém, abrir uma porta, carregar uma sacola de compras, acompanhar alguém numa rua deserta até seu carro,....
- E com o porteiro, o "guardador de carro", o policial, o amigo do trabalho, um desconhecido em situação de ajuda, tantas pessoas, cada uma, uma oportunidade de ser generosamente gentil!
Muitas outras coisas podem ser feitas, com muita criatividade. Pense
em quantas oportunidades surgem para ser voluntário em alguma causa, ou em algum
projeto, ou ainda em alguma missão especial. Crianças, jovens, adultos, idosos,
todos poderão se beneficiar de sua atitude. Afinal, todos sabemos, o amor é o
que o amor faz!
Mas lembre-se, independente de quem seja o alvo de sua generosidade,
o maior beneficiário será você mesmo! Por isso, termino falando de uma pessoa
que não tinha casa, não tinha grana, não tinha meio de transporte pessoal nem
maiores bens materiais. Apesar disso, ninguém nunca conseguiu ser tão generoso
quanto ele, marcando a vida de tantas pessoas que já não se podem contar. Ele não
comprou um único presente de Natal nem de aniversário para ninguém. Ainda por
cima, dividiu o pouco que possuía e soube multiplicar o que não tinha. Sua imagem
era a da mão estendida, do abraço fácil, do tempo para sentar e conversar com
gentileza, apesar de saber colocar os impostores em seu devido lugar. Sua visão
eram as pessoas, o que cada uma delas era e nunca o que possuíam.
Ele conseguiu fazer com que prostitutas se tornasse dignas e reis se
sentissem desprezíveis. Seu toque era como seu olhar, firme e gentil. Os materialistas
de seu tempo o rejeitaram, pois ele não comprava ninguém e tampouco se vendeu
para quem quer que fosse. Ele foi o amor encarnado em atitudes de generosidade.
E finalmente, quando se esgotaram todas as possibilidades e nada mais havia a
ser feito, ele entregou sua própria vida. Ele foi, ele é, e ele será sempre o
Natal Encarnado, o Cristo, Emanuel, Deus conosco.

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